Como nossos pais

A música, transliterada em texto abaixo, fala mais que muita tese de esquerda por aí. Se nos atermos no seu sentido, o movimento de juventude que queremos pode realmente acontecer e ser diferente de outras juventudes.

(...)

 

Não quero lhe falar, meu grande amor, das coisas que aprendi nos discos...

quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo. viver é melhor que sonhar. Eu sei que o amor é uma coisa boa. Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa.

Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina. Eles venceram e o sinal está fechado prá nós, que somos jovens.


Para abraçar seu irmão e beijar sua menina, na rua. É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz.


Você me pergunta pela minha paixão. Digo que estou encantada com uma nova invenção. Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão, pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação. Eu sei de tudo na ferida viva, do meu coração...

Já faz tempo, eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida. Na parede da memória, essa lembrança é o quadro que dói mais.

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos. Ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais. Nossos ídolos ainda são os mesmos. E as aparências não enganam não. Você diz que depois deles, não apareceu mais ninguém. Você pode até dizer que eu tô por fora ou então que eu tô inventando, mas é você que ama o passado e que não vê, é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem...

hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude, tá em casa, guardado por deus contando vil metal... minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos. Nós ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos
os mesmos e vivemos como os nossos pais.