CNJ: Conciência e democracia

 “A argila fundamental de nossa obra é a juventude.
Nela depositamos todas as nossas esperanças
e a preparamos para receber idéias
para moldar nosso futuro”
Che Guevara


Brasília tremeu quando a Conferência Nacional da Juventude começou. Certamente em poucos momentos da história brasileira, tantos jovens, de realidades tão diversas (e tão adversas) se reuniram em um só lugar para debater e construir democraticamente propostas para mudar o Brasil.

O vermelho era o tom que predominava. Foi possível perceber durante toda a Conferência que a juventude brasileira não está satisfeita com o atual modelo econômico mundial e apontou novos caminhos para o desenvolvimento e para o progresso nacional, socialmente responsável e ambientalmente sustentável.

Respeito à juventude negra, ao meio-ambiente, às mulheres, aos deficientes, ao movimento LGBTT e a radicalização da democracia foram as diretrizes mais votadas na Conferência. Além disso, os delegados e delegadas aprovaram moções de apoio a luta dos trabalhadores oprimidos, aos povos tradicionais remanescentes de quilombos e indígenas esquecidos em vários recantos do nosso país.

Outra característica interessante do encontro foi o referendo a um nome que se tornou um mito nacional: Lula. Nunca se viu um nome brasileiro que unificasse mais a juventude. Sempre que havia um conflito no evento ouvia-se o canto unificador em uníssono: “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”! O presidente operário não é mais apenas um político popular, um novo JK ou um outro Getúlio Vargas. Ele se tornou um herói único na história do Brasil, um exemplo de superação e esperança para a juventude brasileira.

Consciente da responsabilidade de representar a diversidade da juventude brasileira, os delegados e delegadas transformaram o evento numa festa democrática, com debates, grupos de trabalho, mini-conferências, plenárias alternativas e muita discussão sobre os temas abordados e sobre os interesses nacionais. Mostrou que ser jovem hoje não é estar desatento ao que acontece no mundo, mas é se manifestar de forma diferenciada sobre os problemas do país e responder com soluções igualmente originais a eles.

A Conferência foi um marco na história brasileira, pela primeira vez, os jovens do Brasil puderam dizer que país realmente querem para si. Não mais o Brasil homofóbico, racista e machista, mas o Brasil verde, amarelo, democrático e que respeita a diversidade e as diferenças. A juventude brasileira deixou claro que quer um país igualitário, com oportunidade para todos e que vai lutar por ele.